TikZ – 00 – Introdução

Este é um livro modesto sobre o uso da linguagem TikZ na criação de ilustrações matemáticas. Modesto porque não pretende apresentar todas as imensas potencialidades dessa linguagem, mas apenas falar daquelas ilustrações que se encontram em livros de matemática do ensino básico ou superior. Àqueles que desejam criar ilustrações para outras disciplinas, digo: não vão embora ainda! Aqui, trato dos elementos fundamentais usados para criar ilustrações magníficas em qualquer área do conhecimento. Podemos pensar que a matemática é o denominador comum de todas as ilustrações: um domínio seguro desses elementos mínimos formará a base de ilustrações complexas de qualquer natureza.

A concepção de um livro como este passa por diversas fases. A primeira, a definição e limitação do objeto, foi simples: eu queria fazer ilustrações de matemática. E ilustrações matemáticas são bem mais diversas do que retas e circunferências combinadas das mais delirantes formas. Uma coisa elas têm em comum: todas exigem conhecimentos de matemática para serem feitas. Por isso, como costumo dizer por aí, a criação de ilustrações são excelentes na educação matemática e computacional, algo que os velhos usuários da linguagem Logo já sabiam muito bem.

Um outro momento na concepção deste livro é a definição do público. Desta vez resolvi escrever para quem quer por a mão na massa e alcançar resultados rapidamente. Assim, me ative a três princípios:

  1. pouquíssimas digressões teóricas, históricas ou técnicas sobre a TikZ,
  2. uso de uma metodologia de criação estruturada e simples e
  3. foco no uso inteligente de um mínimo possível de elementos.

Seguindo o primeiro princípio, digo apenas que a TikZ é uma linguagem de produção de gráficos vetoriais que parte de uma descrição algébrica desses gráficos. Foi criada por Till Tantau, um professor alemão da Universidade de Lübeck. O manual da linguagem, em constante atualização, se encontra no site https://pgf-tikz.github.io/pgf/pgfmanual.pdf. Esse manual, ainda que definitivamente muito bem escrito e prazerosamente legível, é uma verdadeira tijolada. Uma busca na internet por textos mais simples e reduzidos (e em português!) é altamente recomendada.

Em relação ao segundo princípio, minha experiência com ilustrações estruturaram a metodologia que descrevo no próximo capítulo. Acredito que essa metodologia seja o que há de mais útil que este livro pode oferecer, em contraste franco com os inúmeros manuais e tutorias que encontramos por aí. Essa metodologia ordena em três passos simples como devem ser desenvolvidas as ilustrações logo após um rascunho mais ou menos tosco escrito em uma folha de papel comum. Uma vez que você tenha um esboço do que você quer, como implementá-lo em uma ilustração efetiva?

Por fim, embora a TikZ nos forneça até excessivas possibilidades decorativas e de programação, é no uso de um número pequeno desses, inteligentemente utilizados, que concentrarei meus esforços. Esse minimalismo evitará a dispersão de nossas energias com elementos de rara utilização. Mais uma vez, é o manual oficial que deve ser consultado para todas as dúvidas.

Sobre o LaTeX

Você já ouviu falar da criação de textos com o uso do sistema LaTeX? Se não, aconselho fortemente que você faça uma busca na internet com as palavras “tutorial de latex” ou “iniciação ao latex” para encontrar dezenas e dezenas de textos que lhe darão o caminho das pedras no uso dessa ferramenta gratuita e de código aberto. Isso porque a TikZ depende do sistema LaTeX (em verdade, depende do TeX) e, embora as instruções que vou dar no próximo capítulo sejam suficientes para começar, é aconselhável que você dê um passo atrás agora para dar dois à frente depois. Tire meia hora de seu tempo para conhecer o LaTeX e veja como são escritas algumas fórmulas de matemática com ele. É sério: faça isso já!

Sobre a matemática necessária

Autores desejam que seus escritos sejam lidos por um público o mais amplo possível. A maneira mais fácil de fazer isso é escrever sempre pressupondo que seu público está vendo pela primeira vez aquilo tudo. Mas agir assim faz com que o autor se torne mais prolixo e se mantenha sempre em um nível elementar, alienando leitores mais avançados que buscam novas informações.

Com este livro, abri mão de um público mais amplo por pressupor, desde já, que meus leitores sabem marcar pontos em um sistema cartesiano e estejam pelo menos cursando o ensino médio. Tudo o mais eles devem ter visto no ensino fundamental. Se esqueceram, sem problema: a gente vai dando um jeito pelo caminho.

Mas devo confessar que escrevo, em verdade, para estudantes de exatas de cursos universitários e para professores que desejam criar material didático. E, além desse grupo, escrevo para um nicho ainda mais específico: os nerds de todas as idades, com ou sem qualificação nenhuma, que adoram desenho, matemática e computação, tudo junto e misturado, e sentem um imenso prazer em desenhar digitando código em qualquer linguagem de programação!

Boas ilustrações!

Próximo capítulo